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Parábolas

De acordo com suas definições, parábola pode ser:

  • Narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca outra realidade de ordem superior

(Dicionário Aurélio - pág. 513)

  • É uma espécie de alegoria apresentada sob forma de uma narração, relatando fatos naturais ou acontecimentos possíveis, sempre com o objetivo de declarar ou ilustrar uma ou várias verdades.

(LUND/P, E.; NELSON, C. – Hermenêutica – Ed. Vida – pág. 81)

As parábolas são apresentadas no Antigo Testamento da Bíblia (2 Sm 12; Is 5.1-7), nas literaturas rabínicas e no Novo Testamento.

Nos Evangelhos sinópticos, as parábolas e ditos parabólicos proferidos por Jesus somam em torno de 60, ou seja, representam a terça parte de todas as palavras dele que foram registradas nas quatro biografias, de acordo com alguns estudiosos, tornando as parábolas uma importante característica do discurso de Jesus.

Jesus utiliza-se das parábolas para transmitir ensinamentos profundos. A despeito disso, a maioria delas sempre é marcada pela simplicidade e brevidade. Poucas delas são longas, como acontece com a Parábola dos Talentos (Mt 25.14-30) ou a Parábola do Filho Pródigo (Lc 11.32).

Embora, em alguns casos, Jesus inclua exageros — a parábola dos dez mil talentos, uma soma astronômica de dinheiro (Mt 18.24) —, ou implicações alegóricas – maus vinicultores, Mt 21.3-44; Mc 12.12; Lc 20.9-19, que necessitam de interpretação — ou ainda símiles e metáforas. As paraábolas de Jesus são sempre tiradas da realidade do mundo cultural e social em que ele vivia, contadas com o propósito de transmitir verdades espirituais.

Jesus ministrava sua mensagens com facilidade em todos os níveis sociais. Ele tinha conhecimento das mais diversas áreas da sociedade e sabia quais eram as suas necessidades. Conhecia os fariseus e os peritos na lei. Por meio de suas parábolas Jesus levou aos seus ouvintes a mensagem de salvação, conclamava a se arrependerem e a crerem. Aos crentes, desafiava-os a porem a em prática, exortando seus seguidores à vigilância. Quando seus discípulos tinham dificuldade para entender as parábolas, Jesus interpretava.

Classificação das parábolas

As parábolas são divididas em 3 classes:

  1. Parábolas verídicas – a ilustração é tirada da vida diária, portanto seu ensino pode ser reconhecido de forma universal. Ex.: os meninos que brincam na praça ( Mt 11.16-19; Lc 7.31-32); a ovelha separada do rebanho (Mt 18.12-14; Lc 15.4-7); uma moeda perdida numa casa (Lc 15.8-10).
  2. Parábolas em forma de histórias – refere-se a acontecimentos passados que são centralizados diretamente em uma pessoa. Ex.: o mordomo sagaz que endireitou a sua situação depois de ter esbanjado o patrimônio do seu senhor (Lc 16.1-9); o juiz que acabou finalmente administrando justiça como respostas às repetidas súplicas de uma viúva (Lc 18.2-8).
  3. Ilustrações – são histórias que focalizam exemplos a serem imitados. Ex.: a Parábola do Bom Samaritano (Lc 10.30-37).

As parábolas do Reino

O Reino de Deus é um tema recorrente nas parábolas de Jesus. Ele estava implantando um novo Reino espiritual e todo seu enfoque estava na manifestação desse Reino, por isso muitos não o compreendiam (Mt 13.13) por estarem com seus corações endurecidos, cheios de incredulidade.

Jesus proferiu várias parábolas referindo-se diretamente ao Reino de Deus e que, freqüentemente, revelam uma perspectiva escatológica: o Trigo e o Joio (Mt 13.24-30); A Rede (Mt 13.47-50); das Bodas (Mt 22.1-14); das Dez Virgens (Mt 25.1-13); dos Talentos (Mt 25.14-30); etc.

É importante observar que as parábolas de Jesus são compreendidas a partir do momento que existe disposição interior para compreender o próprio Mestre.

Ditos parabólicos

Há também vários ditos parabólicos breves e sábios que pode ter sido circulado como provérbios nos dias de Jesus: "Médico, cura-te a ti mesmo" (Lc 4.23); "Pode porventura um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?" (Lc 6.39).

Parábolas e ditos parabólicos, disposta em conformidade com o contexto geral dado nos Evangelhos:

 O Sermão da Montanha

  • O sal da terra (Mt 5.13; Mc 9.49-50; Lc 14.34-35)
  • A luz do mundo (Mt 5.14 e segs.; Mc 4.21; Lc 8.16)
  • Dos tesouros (Mt 6.19ss; Lc 12.33-34)
  • O olho são (Mt 6.22-23; Lc 11.34ss)
  • As aves do céu e os lírios do campo ( Mt 6.26ss; Lc 12.24-48)
  • Do servir a dois senhores ( Mt 6.24; Lc 16.13)
  • O argueiro no olho ( Mt 7.3-5; Lc 6.41-42)
  • Da profanação daquilo que é santo (Mt 7.6)
  • As duas estradas (Mt 7.13-14; Lc 13.23-24)
  • Os lobos disfarçados em ovelhas e “Pelos seus frutos...” ( Mt 7.15-20)
  • A casa edificada na rocha (Mt 7.24-27; Lc 6.47ss)

 O Ministério na Galiléia

  • A seara é grande (Mt 9.35-38; Mc 6.6-34; Lc 8.1; Jo 4.35)
  • Os dois devedores ( Lc 7.41ss)
  • O sinal de Jonas (Mt 12.38-42; 16.1-4; Mc 8.11-12; Lc 11.16; Jo 6.40)
  • A parábola do semeador (Mt 13.1-9; Mc 4.1-9; Lc 8.4-8)
  • A razão do falar em parábolas (Mt 13.10-17; Mc 4.10ss; Lc 8.9-10; Jo 9.39)
  • Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (Mt 11.15; Mc 4.8,23; Lc 8.8; 14.35)
  • A semente que cresce secretamente ( Mc 4.26-29)
  • O trigo e o joio ( Mt 13.24-30)
  • O grão de mostarda (Mt 13.31-32; Mc 4.30ss; Lc 13.18-19)
  • O fermento ( Mt 13.33; Lc13.20-21)
  • Por que Jesus falou por parábolas (Mt 13.34-34; Mc 4.33-34)
  • O tesouro oculto e a pérola de grande valor ( Mt 13.44ss)
  • A parábola da rede ( Mt 13.47-50)
  • Tesouros velhos e novos ( Mt 13.51-52)
  • Os verdadeiros parentes de Jesus (Mt 12.46-50; Mc 3.20-21; Lc 8.19ss; Jo 15.14)
  • O servo incompassivo (Mt 18.23-35)

 No Caminho de Jerusalém

  • O Bom Samaritano (Lc 10.29-37)
  • O amigo à meia-noite (Lc 11.5-8)
  • A luz (Lc 11.33; Mt 5.15; Mc 4.21)
  • O olho bom (Lc 11.34ss; Mt 6.22-23)
  • O rico e o tolo (Lc 12.16-21)
  • A figueira estéril (Lc 13.1-9; Mt 21.19-18; Mc 11.12ss)
  • Contando o preço de construir uma torre e ir à guerra (Lc 14.28-33)
  • A ovelha perdida (Lc 15.1-7)
  • A moeda perdida (Lc 15.8ss)
  • O filho pródigo (Lc 15.11-32)
  • O administrador infiel (Lc 16.1-9)
  • O rico e o Lázaro (Lc 16. 19-31)
  • Somos servos inúteis (Lc 17.7-10)
  • O juiz iníquo (Lc 18.1-8)
  • O fariseu e o publicano (Lc 18.9-14)

O Ministério na Judéia

  • Das riquezas (Mt 19.23-30; Mc 10.23-31; Lc 18.24-30)
  • Os trabalhadores da vinha (Mt 20. 1-16)
  • Os talentos ( 19.11-27; Mt 25.14-30; Mc 13.34)

O Ministério Final em Jerusalém

  • Os dois filhos ( Lc 15.11-32)
  • Os lavradores maus (Mt 21.33-46; Mc 12.1-12; Lc 20.9-19)
  • As bodas (Mt 22.1-14)
  • A oferta da viúva pobre (Mc 12.41-44; Lc 21.1-4)
  • A figueira ( Mt 24.32-36; Mc 1328-32; Lc 21.29-33)
  • A exortação à vigilância (Mc 13.33-37; Mt 25.13ss; Lc 19.19-20)
  • O dilúvio, a vigilância e o ladrão de noite (Mt 24.37-44; Lc 17.26-36; 12.39-40)
  • O bom servo e o mau servo (Mt 24.45-51; Lc 12.41-46)
  • As dez virgens (Mt 25.1-13; Mc 13.33-37; Lc 12.35-38; 13.25-28)
  • As ovelhas e os cabritos (Mt 25.31-46)

Os discursos no Evangelho de João

O ensino de Jesus no quarto Evangelho apresenta-se em discursos e diálogos que, mesmo assim, empregam a linguagem figurada parabólica.

  • O novo nascimento (Jo 3.1-36)
  • A água da vida ( Jo 4.1-42)
  • O Filho (Jo 5.19-47)
  • O pão da vida (Jo 6.22-66)
  • O Espírito vivificante (Jo 7.1-52)
  • A luz do mundo (Jo 8.12-59)
  • O bom Pastor (Jo 10.1-42)
  • Os discursos de despedida (Jo 13.1-17,26), que incluem os ditos acerca da casa do Pai (14.2ss), do caminho (14.6), da videira (15.1-16), e das dores de parto (16.2ss).

 

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